Passos progrediam em direção a porta da sala de estar aonde Pedro foleava desinteressado por páginas deum livro de qualquer e mascava chiclete, os passos cessaram e foram seguidos pelo barulho da trinca se abrindo, e o olhar de Pedro foi subitamente desviado para porta.
-O que você ta fazendo ai? Perguntou Renato, seu irmão mais novo.
-Nada de mais, só to lendo esse livro. Respondeu Pedro enquanto sua atenção voltava ao livro que vinha lendo pelos últimos trinta minutos.
-Ta, nossos pais saíram e eu vou jogar bola com meus amigos, se tiver algum problema me liga.
-Então ta.
Pedro esperou a porta bater, então fechou o livro e o repousou na mesa em seguida olhou para cima e em um suspiro admirou o teto, a pintura branca que refletia a luz que atravessava a janela e a textura lisa eram interessantes o suficiente para distrair Pedro, na verdade, na situação em que ele se encontrava, qualquer coisa era. Pedro estava sendo envenenado pelo tedio, a cada batida de seu coração, o tedio se espalhava por sua corrente sanguínea, alcançando cada parte de seu corpo e o matando vagarosamente.
Em busca do antidoto, Pedro havia tentado de tudo, rabiscar na mesa, assobiar e ate jogar moedas pro ar, mas nada deu resultado, a medida em que o tempo passava, seus olhos se cansavam de analisar o quarto sem cor e a ansiedade dominava Pedro, que agora andava para lá e para cá enquanto murmurava para si mesmo, o triste tenebroso tiquetaquear do relógio pendurado na parede que outrora fora uma impercebível sussurro, agora o atingia incansavelmente, como um rugido súbito, Pedro escutou seu coração acelerar, seu sangue ferveu dentro de suas veias, e seus punhos se contraíram com eloqüência e seus dentes rangiam em fúria, porem quando sua ultima gota de lucidez estava prestes a ser derramada, o celular de Pedro toca.
-Ou, ta a fim de vir jogar aqui? Convidou Renato
-Ta, to indo! Respondeu Pedro cuja a voz serena recusava refletir a sensação de alívio.